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驻巴西大使李金章在“金砖国家第六次峰会展望”研讨会上的讲话(葡语版)
驻巴西使馆
2014/05/06

  Discurso do Embaixador Li Jinzhang no Seminário“Expectativas do BRICS para a VI Cúpula”

  (29 de abril, 2014, Fortaleza)

  Exmo. Sr. Hélio Leitão, representante do Gov. Cid Gomes,

  Exmo. Sr. Embaixador Graça Lima,

  Exmo. Sr. Embaixador Sérgio Lima,

  Exmos. Senhores Embaixadores do BRICS,

  Senhoras e senhores, caros amigos,

  Bom dia! É para mim uma grande honra participar do seminário de hoje. É minha primeira visita à Fortaleza. Na China tem um provérbio dizendo que ver é crer. Agora, vendo com os meus próprios olhos a praia linda, o porto pujante e a cidade próspera, creio que Fortaleza supera a sua fama. Com a VI Cúpula do BRICS a ser realizada em julho próximo, Fortaleza tornar-se-á certamente foco de atenção internacional, deixando sem dúvida o seu vestígio impressionante na trajetória do BRICS.

  Durante mais de dois anos desde a minha chegada ao Brasil, encontro-me com os embaixadores já várias vezes em diferentes ocasiões. Mas hoje é a primeira vez que eu participo dum seminário temático sobre BRICS, no qual estão presentes todos os embaixadores dos países do BRICS, os diplomatas brasileiros do itamaraty, e tantos especialistas dos melhores think-tanks do Brasil. Aproveitando a ocasião, gostaria de compartilhar com todo o mundo as minhas observações sobre o desenvolvimento do BRICS e as perspectativas das cooperações intra-BRICS.

  Desde o século 21, as economias emergentes erguiram-se de uma forma coletiva, o que reverteu o quadro que a economia mundial era impulsionada principalmente por economias avançadas durante mais de 200 anos. Em 2001, BRICS ainda era apenas uma concepção econômica e de investimentos. Com mais de uma década, especialmente desde a primeira cúpula dos líderes do BRICS realizada em 2009 em Ekaterinburg, até às cúpulas de Brasília, Sanya, Nova Deli e Durban do ano passado, o mecanismo do encontro entre líderes do BRICS se aprefeiçou continuamente. BRICS já se formou um quadro de cooperação de multi-níveis e áreas amplas. Com os resultados conquistados nas cooperações pragmáticas, a cooperação intra-BRICS agora tem um conteúdo sólido.

  Atualmente, a população do BRICS ocupa 42% do total mundial, o território somado do BRICS ocupa quase 30% do mundo, e a economia somada ocupa 21%, o volume do comércio exterior ocupa 21% do mundo. Durante os últimos dez anos, a contribuição do BRICS para o crescimento econômico mundial superou 50%, deixando o BRICS um motor importante (uma mola mestra) da recuperação e crescimento sustentável da economia global. Conforme previsões de alguns analistas, o PIB acumulado do BRICS superará os EUA até 2018, e superará o G7 até 2030.

  Enquanto o poder econômico cresce, o grupo BRICS já se tornou uma plataforma estratégica para as principais economias emergentes realizarem diálogos e cooperações, e participarem ativamente na governança global, tornando-se uma força importante na salvaguarda da paz mundial e promoção do desenvolvimento comum. Os cinco países são principais países grandes nos respectivos continentes, e membros importantes das Nações Unidas, G20 e demais organismos internacionais e mecanismos multilaterais, desempenhando também papeis críticos em várias organismos regionais. Os cinco países têm mantido estreitas coordenações e cooperações sobre uma série de questões internacionais críticas, tais como crise financeira, mudança climática, e outras questões quentes regionais, fazendo grandes contribuições para a salvaguarda dos interesses globais dos países em desenvolvimento, o aumento da voz e representatividade dos países emergentes e em desenvolvimento nos assuntos internacionais.

  Claro que nenhuma coisa pode desenvolver-se sempre de vento a favor, e a trajetória do BRICS não é excepção. No ano passado, devido às maiores dificuldades tanto internas como externas e à desaceleração relativa das suas economias, surgiram de novo vozes que depreciam BRICS na opinião pública internacional, prevendo com pessimismo do mecanismo do BRICS e as cooperações intra-BRICS. Ao meu ver, muitas críticas e dúvidas são exageradas e parciais.

  Primeiro, o desenvolvimento econômico sempre tem altos e baixos. Desde século 21, os países do BRICS já têm mantido um crescimento rápido por mais uma década, durante a qual, sofreram ainda a crise financeira mundial de 2008, mas continuavam a crescer, e tornaram-se motor do crescimento econômico mundial. Atualmente, mesmo com uma desaceleração relativa, os fundamentos econômicos dos países do BRICS ainda estão favoráveis, e a velocidade de crescimento em média ainda é mais de duas vezes superior aos países avançados.

  Segundo, além das vantagens destacadas já existentes de força de trabalho, recursos e mercado, os países do BRICS têm explorado ativamente rumo de desenvolvimento que corresponde às prórprias realidades, acelerando as reformas e inovações. Daí alcançaram resultados notáveis no seu desenvolvimento sócio-econômico e um poderio muito maior do que antes, com melhor capacidade de enfrentar desafios e resolver problemas. Atualmente, os países do BRICS incluindo a China estão promovendo ativamente as reformas, a modificação de modelo de desenvolvimento, a estabilidade financeira e de receita, e um desenvolvimento impulsionado por inovação. Estou convicto de que com o avanço contínuo dos nossos trabalhos, somando a recuperação progressiva da economia mundial, os países do BRICS vão voltar a crescer rápido.

  O mundo de hoje está vivendo profundas mudanças. A conjuntura internacional enfrenta novos reajustes. As incertezas e fatores instáveis que influenciam a situação tanto global como regional aumentam-se. Uma questão polémica vem após a outra. A multipolarização avança ziguezagueando. A economia mundial sofre reajustes profundos, com a recuperação lenta e difícil e a falta de vigor. Para um desenvolvimento econômico forte, sustentável e equilibrado ainda tem um caminho muito longo para percorrer. O grupo BRICS, formado por economias emergentes e países em desenvolvimento, que desempenha um papel importante na recuperação econômica mundial e na promoção da ordem mundial na direção mais justa e razoável, precisa de se unir e cooperem para ganhar mais vigor de desenvolvimento e coesão entre si, com o objetivo de abrir novas perspectivas do nosso prórprio crescimento econômico, enquanto impulsionar o crescimento econômico mundial, fazendo contribuições para a paz e estabilidade do mundo. Os países do BRICS são muito diversificados e complementares nos recursos naturais, estrutura setorial e rumo de desenvolvimento, e já têm uma base sólida da cooperação econômica. Atualmente, o volume de comércio exteriror do BRICS ocupa 16% do todal mundial, enquanto o volume de comércio intra-BRICS só chega a ordem de 336 bilhões de dólares, ou seja 1,5% do total mundial. Isso demonstra que o potencial da cooperação econômica intra-BRICS ainda não foi 100% liberado. Devemos estabelecer confiança no nosso rumo de desenvolvimento e na perspectiva do BRICS. Assim que definamos o rumo certo, apliquemos medidas eficazes, agarremos a oportunidade, e avancemos com mãos dadas, teremos um futuro brilhante da cooperação intra-BRICS.

  Senhoras e senhores, amigos,

  O primeiro ciclo da cúpula do BRICS terminou exitosamente em 2013 em Durban do África do Sul e este ano é o momento da passagem de testemunho para o Brasil. Sendo membro do BRICS, o Brasil tem-se esforçado, junto com outros membros, no sentido de ampliar a cooperação, manter comunicação e coordenação, apresentar várias sugestões construtivas para o estabelecimento e a melhoria do mecanismo do BRICS, assumir os trabalhos importantes, particularmente nos temas de redução da pobreza, proteção ambiental, governança cibernética, reforma dos organismos internacionais de finanças e de comércio, contribuindo assim para aumentar a influência do BRICS e salvaguardar os interesses globais. Vale ressaltar que as relações sino-brasileiras se desenvolvem rapidamente e se tornam uma miniatura vívida da cooperação de benefícios mútuos e ganhos compartilhados entre os membros, refletindo a forte vitalidade e perspectivas promissores da cooperação do BRICS. Esperamos que o Brasil, durante o seu mandato de presidência rotativa, possa elevar a cooperação e o mecanismo do BRICS para um novo patamar.

  A VI Cúpula do BRICS iniciará o segundo ciclo de reuniões do BRICS, significando que o mecanismo passa da fase inicial para a fase madura. Como dizem os chineses, um bom começo é a metade do sucesso. Se esta cúpula começar bem, o desenvolvimento do BRICS na nova época será mais favorável e o caminho será cada vez mais amplo.

  Como andam bem os primeiros passos do segundo ciclo? Ao meu ponto de vista, são como seguintes:

  Em primeiro lugar, implementar ativamente os consensos alcançados e acelerar a cooperação pragmática de diversas áreas. Desde a primeira cúpula do BRICS, têm sido publicadas várias declarações e comunicados conjuntos e assinados vários documentos de cooperação nas áreas de economia e comércio, finanças, investimento e tecnologia, entre outras. Vale especialmente recordar que, na V Cúpula realizada no ano passado, os líderes dos 5 membros concordaram em estabelecer o Banco de Desenvolvimento do BRICS e a reserva de divisas de contingência por um valor incial de 100 bilhões de dólares americanos. Essas duas decisões são medidas fundamentais para a promoção da construção do mecanismo e fortalecimento da cooperação pragmática e contribuem ativamente à melhoria da governança financeira global. Ao longo de mais de um ano, os trabalhos a esse respeito tem-se avançado a passos seguros. Esperamos que obtenhamos progressos substanciais nesta cúpula. Ao mesmo tempo, todas as partes devem acelerar a cooperação pragmática nas áreas de economia e comércio, finanças, infraestruturas, indústria, saúde, agricultura, estatísticas, tecnologia e intercâmbio do pessoal.

  Em segundo lugar, reforçar a cooperação econômica e buscar novos pontos de crescimento. Sob o contexto da lenta recuperação econômica mundial, os riscos do mercado financeiro internacional, a aceleração do processo das negociações dos tratados de livre comércio regional que não incluem os países do BRICS, o abrandamento do crescimento econômico do BRICS, a parte chinesa acha que os membros do BRICS precisam desenvolver a parceria econômica mais estreita, e por meio de elaborar um quadro da cooperação pragmática econômica de diversas áreas, promover a abertura mútua e a integração entre os mercados dos membros, a complementaridade mútua dos fatores de produção de capitais, força de trabalho, tecnologia e recursos naturais, aumentar a liberalização do comércio e a facilitação de investimento, proporcionando assim nova força-motriz ao crescimento econômico dos países menbros Os países do BRICS devem reforçar ainda a coordenação das políticas macroeconômicas para enfrentar conjuntamente os riscos do mercado global, e promover juntos a reforma do mecanismo da governança econômica global para salvaguardar os interesses do BRICS e dos países em desenvolvimento, criando novos pontos brilhantes para a cooperação do BRICS.

  Em terceiro lugar, continuar a desempenhar um papel construtivo na reforma do sistema da governança mundial e promover a reforma para obter avanços substanciais. O sistema atual da economia internacional fundou-se há mais de meio século e já não pode refletir completamente as mudanças na situação internacional atual e o papel importante das economias emergentes e dos países em desenvolvimento representadas pelos países do BRICS no processo de encarar a crise financeira internacional e estimular o crescimento económico mundial. Nos anos recentes, os membros do BRICS têm participado ativamente na reforma das instituições da governança econômica mundial como FMI e Banco Mundial e apelado fortemente nas instituições como ONU, G20, OMC, ao aumento da voz e representatividade das economias emergentes e países em desenvolvimento sobre os temas importantes globais, o que não só corresponde à realidade da transformação profunda da situação internacional, como também é conducente ao impulsionamento da ordem internacional em direção mais justa e razoável, de forma a fornecer garantias institucionais à estabilidade e paz mundial.

  No futuro, os países do BRICS deverão continuar a desempenhar um papel construtivo na reforma do sistema da governança mundial, promover a reforma das instituições financeiras e econômicas internacionais como OMC, FMI, Banco Mundial, Conselho de Estabilidade Financeira, ampliar ainda mais a voz e direito da formulação de regras das economias emergentes na governança da economia mundial, trabalhando juntos para estabelecer uma nova ordem econômica justa e equitativa, benéfica mútua, inclusiva e ordenada. Atualmente, é necessário especialmente as partes interessadas implementem a quota e o projeto da reforma da governança ratificados pelo FMI em 2010 e iniciem com a maior brevidade e concluam o novo ciclo da revisão geral da quota, para manter a tendência do desenvolvimento da reforma do FMI e aumentar a capacidade de enfrentar riscos financeiros mundiais.

  Senhoras e senhores, amigos,

  O BRICS consititui um modelo clássico da cooperação entre países de diferentes regiões, regimes, modelos e civilizações. Acabando de completar o primeiro ciclo das cúpulas, BRICS tem ainda em sua frente muitas quetões por discutir. Mas, no fim de contas, a solução de questão baseia-se no desenvolvimento e cooperação. Para manter a tendência do desenvolvimento do BRICS, os membros precisam não só desenvolver a sua força própria, como também estimular a criatividade e comunicar sinceramente, fazendo o BRICS forte e sólido. Estou com plena confiança pelo futuro do BRICS.

  O mecanismo do BRICS está, através da cooperação e numa atitude transparente, aberta e inclusiva, promovendo, participando e modelando ativamente a governança mundial, constituindo uma energia positiva do desenvolvimento comum humano e da estabilidade e paz mundial. A palavra “fortaleza” em português significa solidez e baluarte. Esperamos que, através da realização da cúpula em Fortaleza, os países do BRICS poderão tornar-se verdadeiramente numa fortaleza sólida da manutenção da estabilidade e paz mundial e da promoção do desenvolvimento e prosperidade. Em 2014, Brasil vai realizar sucessivamente eventos de maior regozijo e de grande importância. Estou com expetativa e faço votos pelo pleno sucesso da realização da Copa do Mundo e da VI Cúpula do BRICS no Brasil, que trarão ao mundo alegria e felicidade.

  Obrigado!

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