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Bloco do BRICS impulsiona desenvolvimento das relações sino-brasileiras
2012/03/28

Beijing, 28 mar (Xinhua) -- Nos dias 28 e 29 será realizada a 4ª Cúpula do BRICS em Nova Déli. O bloco, além de ser um mecanismo multilateral, também ajuda a impulsionar as relações bilaterais entre a China e o Brasil, segundo especialistas entrevistados pela Xinhua.

BRICS como identidade

Zhou Zhiwei, secretário-geral do Centro de Pesquisa Brasileira da Academia Chinesa de Ciências Sociais, acredita que o âmbito do BRICS salienta a identidade comum da China e do Brasil como países emergentes e em desenvolvimento, o que pode oferecer uma melhor visão para que os dois avaliem suas relações bilaterais.

"O BRICS adiciona mais uma visão global às relações da parceria estratégica sino-brasileira, o que é uma parte importante no desenvolvimento das relações e explica melhor a palavra 'estratégica'", disse Zhou à Xinhua.

De acordo com o acadêmico, a identidade comum como países do BRICS também ajuda os dois países a evitar certos atritos nas relações e ter melhores desempenhos na proteção dos benefícios de países emergentes e em desenvolvimento no processo de transformação econômica global.

Em fevereiro, a 2ª reunião do Comitê de Coordenação e Cooperação de Alto Nível China-Brasil foi realizada em Brasília. O copresidente da reunião e vice-primeiro-ministro da China, Wang Qishan, declarou na reunião que desde que a China e o Brasil estabeleceram relações diplomáticas há 38 anos, a relação bilateral amadureceu cada vez mais e obteve importância estratégica.

No mesmo mês, Li Jinzhang, o novo embaixador chinês no Brasil, também manifestou que as relações sino-brasileiras vêm registrando desenvolvimentos rápidos e profundos nos últimos anos, não se limitando às relações bilaterais mas apresentando maior estratégia e influência global.

BRICS como plataforma

Nos anos recentes, a China e o Brasil registraram grandes avanços e o BRICS pode ser uma plataforma para que os dois procurem um maior espaço de desenvolvimento.

"A China e o Brasil são grandes países emergentes e seus interesses internacionais e no exterior estão aumentando. Os dois países não estão satisfeitos com os atuais mecanismos internacionais e têm disputas comerciais com países desenvolvidos", apontou Sun Yanfeng, especialista do Centro de Estudos Latino-americanos do Instituto Chinês de Relações Internacionais Contemporâneas, em entrevista à Xinhua.

Em 1º de março, a presidente brasileira Dilma Rousseff criticou políticas monetárias expansionistas de países desenvolvidos, dizendo que elas estão criando um "tsunami monetário", em que capitais especulativos elevaram a taxa de câmbio do real e reduziram de uma forma injusta a competitividade da indústria brasileira.

Sun Yanfeng apontou que tanto o Brasil como a China devem aproveitar a plataforma do BRICS, a fim de impulsionar reformas dos mecanismos globais, especialmente financeiros e comerciais, para aumentar o poder de voz dos dois países, assim como promover ações conjuntas dos países do BRICS em questões particulares relacionadas com os interesses estratégicos dos dois países.

Segundo os especialistas, os bancos de desenvolvimento dos países do BRICS abordarão, durante a cúpula, como promover créditos em moedas locais entre os cinco países. Para Zhou Zhiwei, essa ação pode ajudar a reforma do Fundo Monetário Internacional e refletir uma tendência de que certas moedas dos países do BRICS possam entrar em um possível cesto de moedas de reserva.

BRICS como oportunidade

Sun Yanfeng indicou que o bloco do BRICS visa fortalecer a coordenação e o benefício mútuo entre os cinco países. "Os líderes dos países do BRICS reúnem-se anualmente, melhorando o consenso de desenvolvimento e a confiança política entre seus países, até os conhecimentos pessoais entre os líderes. Essa é a maior contribuição do BRICS para as relações bilaterais sino-brasileiras", disse Sun.

Na opinião de Zhou Zhiwei, o BRICS também está promovendo as relações econômicas e comerciais entre a China e o Brasil. Em 2011, o valor de comércio bilateral superou US$ 80 bilhões. O Brasil tornou-se o 9º maior parceiro comercial da China.

Os acadêmicos ainda assinalaram que na 2ª reunião do Comitê de Coordenação e Cooperação de Alto Nível China-Brasil, os dois países prometeram aprofundar a cooperação em comércio, finanças, energia e recursos, infraestrutura e outras áreas, assim como explorar o potencial de cooperação nas áreas de ciências, educação e agricultura, coincidindo em parte com as propostas de uma reunião entre as instituições de consultoria dos países do BRICS realizada de 4 a 7 deste mês em Nova Déli, o que pode ter contribuições mútuas nessas cooperações.

O BRICS é o bloco de cinco economias emergentes do mundo: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A 4ª cúpula entre os líderes terá como tema o compromisso do BRICS com a parceria para a estabilidade, segurança e prosperidade.

Em uma entrevista coletiva em Beijing no dia 21 de março, o ministro adjunto chinês das Relações Exteriores Ma Zhaoxu disse que na cúpula o presidente chinês Hu Jintao explicará a posição chinesa sobre a governança mundial, o desenvolvimento sustentável e a cooperação entre os países do BRICS. Fim

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